ontem alguém me disse que no mundo há mais coisas que se possa sentir do que se possa tocar
então passei a perceber que certas coisas quanto menos se toca mais se sente
e é estranho pensar em como as coisas invisiveis conseguem ser ao mesmo tempo tão nitidas quanto surreais
ontem alguém me disse que eu penso demais
tanto que não consigo verbalizar nem um terço do que se passa em minha mente
eu costumava não dar muita importância a este tipo de observação
como eu costumava não dar muita importância pro "ontem"
como eu costumava não dar muita importância pra esse papo de "sentir"
mas sinceramente, ontem eu senti muito mais do que toquei
ouvi muito mais do que falei
e foi tão esquisito, que desde ontem não consigo pensar tanto
até tenho pensado bastante, mas sempre sobre o mesmo assunto
que na verdade nem é bem um assunto, seria melhor chamar de pessoa
e o que mais me intriga, não é o fato de todas essas coisas existirem
e sim o fato de que ontem eu não falei com ninguém além de mim.
(Nada Além, Louise)
terça-feira, 14 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
escolhas
Nós tropeçamos. Nós que não queríamos tropeçar, tropeçamos. Foi de uma vez, assim como a chuva resolve cair junto com o brilho do sol em um dia desses que são chamados de “dia em que as raposas casam”. A raposa é tão esperta que espera o dia mais inusitado para se casar. Sempre quis entender o motivo pelo qual alguém se casa em um dia que faz sol e chuva ao mesmo tempo.
Bom, tropeçamos de uma forma tão inusitada, assim como o casamento das raposas, assim como a chuva e o sol. Tropeçamos pela falta de senso do censo. Nós tropeçamos por causa da minha solidão e nos perdemos dentro do nosso labirinto. Resolvi seguir pela direita e você pela esquerda. E seguindo pela esquerda você me perdeu. Achei o fim do labirinto e te deixei lá. Agora só, me resta [...]
Dave.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
bon vivant
morrer assombra
viver à sombra de outrém assola
é a morte em vida
é uma vida sem história
eu quero cair no mundo
nem que seja só por um segundo
eu quero chegar ao fundo
o desafio? aceito! o profundo.
já que somos obrigados a morrer
que morramos então por viver demais
morte de vida intensa
de alegria, de extravagancia
e não deixar nada pra depois
desejo a mim a sorte dos personagens de Jorge Amado
morrer de carnaval
que me venha então a morte de bon vivant
e pra bem longe de mim, morrer por uma vida vã
(Bon Vivant, Louise)
viver à sombra de outrém assola
é a morte em vida
é uma vida sem história
eu quero cair no mundo
nem que seja só por um segundo
eu quero chegar ao fundo
o desafio? aceito! o profundo.
já que somos obrigados a morrer
que morramos então por viver demais
morte de vida intensa
de alegria, de extravagancia
e não deixar nada pra depois
desejo a mim a sorte dos personagens de Jorge Amado
morrer de carnaval
que me venha então a morte de bon vivant
e pra bem longe de mim, morrer por uma vida vã
(Bon Vivant, Louise)
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